sábado, 29 de setembro de 2012

EPISCÓPIOS ("projectores de opacos")

Os arautos da transparência, têm como exemplo disso mesmo, transparência ?


Texto atrib a Domingos Ferreira
Professor/Investigador Universidade do Texas, EUA, Universidade Nova de Lisboa

"O adjunto do primeiro-ministro, o senhor Carlos Moedas, veio agora a saber-se, tem 3 empresas ligadas às Finanças, aos Seguros e à Imagem e Comunicação. Como sócios, teve os senhores Pais do Amaral, Alexandre Relvas e Filipe de Button, a quem comprou todas as quotas em Dezembro passado.Como 


clientes, tem a Ren, a EDP, o IAPMEI, a ANA, a Liberty Seguros, entre outros.
Nada obsceno, para quem é adjunto de Pedro Passos Coelho!
E não é que Moedas até comprou as participações dos ex-sócios para "oferecer" o bolo inteiro à mulher?! (disse-o ele à Sábado).
Não esquecer ainda que Carlos Moedas é um dos homens de confiança do Goldman Sachs, a cabeça do Polvo Financeiro Mundial, onde estava a trabalhar antes de vir para o Governo.

Também António Borges é outro ex-dirigente do Goldman, e que está agora a orientar(!?) as Privatizações da TAP, ANA, GALP, Águas de Portugal, etc.

Adoráveis, estes liberais de trazer por casa, dependentes do Estado, quer para um emprego, quer para os seus negócios.

Lamentavelmente, à política económica suicidária da UE, que resultou nas tragédias que já todos conhecem, acresce a queda do Governo Holandês (ironicamente, acérrimo defensor da austeridade) e o agravamento da recessão em Espanha. Por conseguinte, a zona euro vê o seu espaço de manobra cada vez mais reduzido e os ataques dos especuladores são cada vez mais mortíferos.

Vale a pena lembrar uma vez mais que o Goldman and Sachs, o Citygroup, o Wells Fargo, etc., apostaram biliões de dólares na implosão da moeda única. Na sequência dos avultadíssimos lucros obtidos durante a crise financeira de 2008 e das suspeitas de manipulação de mercado que recaíam sobre estas entidades, o Senado norte americano levantou um inquérito que resultou na condenação dos seus gestores.

Ficou também demonstrado que o Goldman and Sachs aconselhou os seus clientes a efectuarem investimentos no mercado de derivados num determinado sentido. Todavia, esta entidade realizou apostas em sentido contrário no mesmo mercado. Deste modo, obtiveram lucros de 17 biliões de dólares (com prejuízo para os seus clientes).

Estes predadores criminosos, disfarçados de banqueiros e investidores respeitáveis, são jogadores de póquer que jogam com as cartas marcadas e, por esta via, auferem lucros avultadíssimos, tornando-se, assim, nos homens mais ricos e influentes do planeta. Entretanto, todos os dias são lançadas milhões de pessoas no desemprego e na pobreza em todo o planeta em resultado desta actividade predatória. Tudo isto, revoltantemente, acontece com a cumplicidade de governantes e das autoridades reguladoras.

Desde a crise financeira de 1929 que o Goldman and Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos. Acresce que este banco tem armazenado milhares de toneladas de zinco, alumínio, petróleo, cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida dos preços e assim obter lucros astronómicos. Desta maneira, condiciona o crescimento da economia mundial, bem como condena milhões de pessoas a fome.

No que toca a canibalização económica de um país, a fórmula é simples: o Goldman, com a cumplicidade das agências de rating, declara que um governo está insolvente, como consequência as yields sobem e obriga-o, assim, a pedir mais empréstimos com juros agiotas. Em simultâneo, impõe duras medidas de austeridade que empobrecem esse pais. De seguida, em nome do aumento da competitividade e da modernização, obriga-os a abrir os seus sectores económicos estratégicos (energia, águas, saúde, banca, seguros, etc.) às corporações internacionais.

Como as empresas nacionais estão bastante fragilizadas e depauperadas pelas medidas de austeridade e da consequente recessão, não conseguem competir e acabam por ser presa fácil das grandes corporações internacionais.

A estratégia predadora do Goldman and Sachs tem sido muito eficiente. Esta passa por infiltrar os seus quadros nas grandes instituições políticas e financeiras internacionais, de forma a condicionar e manipular a evolução política e económica em seu favor e em prejuízo das populações.

Desta maneira, dos cargos de CEO do Banco Mundial, do FMI, da FED, etc., fazem parte quadros oriundos do Goldman and Sachs. E na UE estão: Mário Draghi (BCE), Mário Monti e Lucas Papademos (primeiros-ministros de Itália e da Grécia, respectivamente), entre outros.

Alguns eurodeputados ficaram estupefactos quando descobriram que alguns consultores da Comissão Europeia, bem como da própria Angela Merkel, têm fortes ligações ao Goldman and Sachs. Este poderoso império do mal, que se exprime através de sociedades anónimas, está a destruir não só a economia e o modelo social, como também as impotentes democracias europeias."

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Políticos de Bataclan *

* ou como diz Medina Carreira, "casas de mulheres de má-vida"
Rubrica: ALMANAQUE DA MEDIOCRIDADE


(ou como a uma "barata tonta" se junta rapidamente um "zangão castrado")
"O laborioso currículo profissional da "formiga" Miguel Macedo

Vejam o currículo profissional do ministro que disse que em Portugal há cigarras a mais e formigas a menos:

· Deputado nas V, VI, VII, VIII, X e XI Legislaturas

· Secretário de Estado da Juventude (1990-1991);

· Vereador da Câmara Municipal de Braga (1993-1997);

· Secretário de Estado da Justiça nos XV e XVI Governos Constitucionais (2002-2005);

· Secretário-Geral do PSD (2005-2007);

· Membro da Assembleia Municipal de Braga

· Líder Parlamentar do PSD (2010-2011);

Como diz o povo, este senhor "nunca fez nada na puta da vida" a não ser encostar o cu às cadeiras do OE. E é um artista destes que sugere que o povo português é formado maioritariamente por gandulos e preguiçosos?

...Bem, o rapaz, como convém aos deputados, ainda é sócio de um escritório de advogados e de uma consultora.

Esta formiguinha exemplar foi afinal a cigarra que em tempos declarou ao Tribunal Constitucional que tinha uma casa em Lisboa, onde vivia, mas para sacar aos portugueses um subsídio de residência, declarou que morava em Braga..."
compil e-mails circulados


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Almeida Bruno, O General "Japardise"

ALMANAQUE DA MEDIOCRIDADE           

    Protagonista d'a ejeculação precoce de 15 de março de 74 (também conhecida por "Intentona das Caldas" e "Golpe das Caldas"), não nasceu para ficar na história, nasceu para ficar em estorias e estorietas de caserna. Ou de casernas, dentro ou fora dos aquartelamentos. Lambe-botas spinolista (mais um), chegou a general não sei com que feitos e com que literacia (mesmo se só a militar) e com a linguagem carregada de calão, jargão e ligeirezas que usa um estivador (apenas) no trabalho ou um primeiro-sargento (apenas) na instrução; e desde 74 até hoje terá cumprido fielmente o papel que que lhe "caricatura" ou ilustra (e lhe consagra) aquele interessante documentário "o dia da Liberdade": javarda! Exerce os seus consulados a javardar. Com uma altivez patológica, e sem a menor noção do que é ou do que vale, o Sr. General abre a boca e japardisa...

O Cínico

sábado, 15 de setembro de 2012

Será o capitalismo que se inspira no jogo do "monopólio" e não o contrário?...

O capital financeiro não deveria ser objecto de negócio mas na realidade não é assim. 

Sempre que pedimos empréstimos, o Banco cria mais dinheiro, não nos empresta o dinheiro que já tem de outros depósitos mas literalmente cria dinheiro com a promessa do indivíduo que pede o crédito em pagá-lo; através de juros. Ou seja, sem dívida não existe dinheiro. ( "That is what our money system is. If there were no debts in our money system, there wouldn't be any money)."


-Marriner S. Eccles, Charman and Governor of the FEDERAL RESERVE BANK)


A nossa economia depende de crédito constante e se a quantidade de empréstimos reduzir acontece o que sucedeu em 1929, o que demonstra que vivemos num sistema económico completamente absurdo e imperfeito! Partindo deste facto, o "capital" só serve para ser transaccionado, de forma a representar mais-valia e lucro. A questão aqui premente é que não podemos continuar a viver com este tipo de sistema económico que explora o trabalhador e enriquece os líderes que "representam" (supostamente) a riqueza que nós produzimos. Na verdade, o que o ser humano necessita são recursos que de ser geridos "mesmo que existem apenas duas pessoas e daí a necessidade de economia". Porque a economia nasceu da necessidade de gerir recursos e não de gerir capital. O que realmente precisamos é de abundância de recursos e não de vivermos num sistema que premeia a escassez e daí acreditar numa altenativa a este sistema corrupto sem necessidade sequer de dinheiro! Se tivermos à disposição tudo o que precisamos não haverá propósito na existência de dinheiro, já que supostamente só o usamos para trocar por algo que nos é essencial. Se já existir de antemão, não precisamos de trocar nada para o obter, não havendo necessidade de trabalhos forçados entre outras obrigações.

COMO ADENDA (i.e., sobre a mesma matéria e noutra linha de pensamento),
O que se pretende é a compreensão de que as necessidades são diferentes dos desejos, sejam as primeiras intrínsecas ao ser (comida nutritiva, água potável, ar puro, interconectividade social e cultural, afecção, amor, habitação, cuidados médicos, educação e segurança) e as segundas acrescentos ao ser (meios rápidos de transportes, produção, distribuição e segurança energética, coesão social, etc. Por isso, e nesta era de abundância tecnológica e de know-how, o que se pretende  é a quebra das tradições monetárias, religiosas e sociais que nos prendem a modelos milenares obsoletos. "O acesso a recursos, à partilha de conhecimentos e à cooperação serão o próximo passo de uma verdadeira civilização porque este sim é o momento mais crítico do ser humano, o da transição para uma civilização estado 1"  (Michio Kako).

por
F.co / Rita Vlinder



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A grande Invasão de Misters e Misses Hydes...

Nuns dias temos a sensação de que metade da população (ou mais) anda no psiquiatra e preocupamo-nos solidariamente. Mas noutros temos a séria impressão de que ainda nem lá anda (e devia andar) e ficamos transidos de medo:


"Proposta de Beatriz Pereira da Universidade do Minho defende que câmaras municipais deviam dar uma bicicleta a cada aluno do 1º ao 9º ano de escolaridade em vez de financiar o seu passe escolar. Leia e ouça também declarações da docente".
                                                  www.expresso.pt com UMinho - 14:39 Quarta feira, 5 de setembro de 2012

Seria a profecia de Edwin A. Abbott realizada, uns quantos milhares de triângulos de cartolinha deslocando-se sobre círculos num cenário da Flatland...


E pensar que houve - e ainda haverá, porventura - quem tivesse medo aos marcianos de Marte: Os marcianos e marcianas de cá são mais ameaçadores. Não são alienígenas, mas são. Digo eu. Ou então, Marte é já'qui. No meu caso concreto, tenho-o a menos de um quilómetro.

Esta emérita investigadora e catedrática, defende que a) numa cidade, num concelho, num distrito, numa província (o Minho!) cheia, cheio, cheios/as de colinas, de ravinas, de subidas íngremes, sem condições objectivas para um ciclismo urbano e, pior ainda, sem sequer um mínimo de cultura cívica para tal fim, b) numa cidade, num concelho, num distrito, numa província (o Minho!) que tem o maior índice de pluviosidade e precipitação do país, "os alunos do 1º ao 9º ano de escolaridade", isto é, crianças (às quais chama jovens) dos seis aos 15 anos, podem/devem ir de bicicleta para a escola!!!

De verão e inverno. Perdão, de outono, inverno e primavera; no verão não costuma haver aulas, salvo as universidades de verão que devem ser aquelas onde esta investigadora investiga, além de que são ainda aquelas onde o Doutor Relvas...também não vai!

Mas mesmo que não fossem as crianças. Mesmo que fossem apenas os adolescentes, i.e., os estudantes entre o 9º e o 12º ano. Será que a académica (que pelos vistos não sabe o que é a chuva) já investigou a morfologia quer do espaço urbano, quer do concelho?... 
Reuniu nas suas investigações um grupo de adolescentes de Gondizalves e Semelhe e experimentou ir e vir da escola de Maximinos de bicicleta, fazendo o mesmo depois em Moure, São Paio de Pousada, Navarra e Adaúfe, Tenões, São Pedro e São Mamede de Este e ainda em Aveleda, Vilaça e Celeirós?...

Eu sei que houve alguém que há um par de milénios prometeu aos idiotas que deles seria o reino dos céus. Mas não prometeu que também o da Terra, da investigação e da universidade.

Esta gente é doida, é cara e é perigosa!
É doida e o que diz e faz demonstra-o à saciedade. É cara porque estas investigações custam dinheiro E é perigosa porque tem tribuna, tem espaço de pregação pública e às vezes até tem poder - nem que seja o de persuasão - para implementar os seus dislates e desmandos.

Seguramente que a Investigadora da UM/IEC sabe onde se situa o Clib de Gualtar. Ora faça lá o favor de convencer os papás dos alunos do Clib (a maioria mora nos Hillside de Tenões e Lamaçães) a mandarem os meninos de bike para o colégio.

***

Little Boxes - Versão original ( Malvina Reynolds)
"Little boxes on the hillside / Little boxes made of ticky tacky / Little boxes on the hillside / Little boxes all the same, 
There's a pink one and a green one / And a blue one and a yellow one / And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same. 

And the people in the houses / All went to the university / Where they were put in boxes / And they came out all the same
And there's doctors and lawyers / And business executives / And they're all made out of ticky tacky

And they all look just the same. 
[ Lyrics from: http://www.lyricsmode.com/lyrics/m/malvina_reynolds/little_boxes.html ]
And they all play on the golf course / And drink their martinis dry / And they all have pretty children / And the children go to school, 
And the children go to summer camp / And then to the university / Where they are put in boxes 

And they come out all the same. 

And the boys go into business / And marry and raise a family / In boxes made of ticky tacky / And they all look just the same, 
There's a pink one and a green one / And a blue one and a yellow one / And they're all made out of ticky tacky

And they all look just the same"
***
Las Casitas del Bárrio Alto - Trad. e adap do original pelo mologrado Victor Jara no fim dos anos 60:
"Las casitas del barrio alto / con rejas y antejardín / una preciosa entrada de autos / esperando un Peugeot. 

Hay rosadas, verdecitas / blanquitas y celestitas / las casitas del barrio alto / todas hechas con recipol. 

Y las gentes de las casitas / se sonríen y se visitan / Van juntitos al supermarket / y todos tienen un televisor. 

Hay dentistas, comerciantes / latifundistas y traficantes / abogados y rentistas / y todos visten polycron. (y todos triunfan con prolén) 

Juegan bridge, toman martini-dry / y los niños son rubiecitos / y con otros rubiecitos / van juntitos al colegio high. 

Y el hijito de su papi / luego va a la universidad / comenzando su problemática / y la intríngulis social. 
Fuma pitillos en Austin mini / juega con bombas y con política / asesina generales / y es un gángster de la sedición"
.............................
Hay personas, ideas, cosas, areas, que si, otras más o menos y otras...ni siquiera.
....................................
O Cínico

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Shhh... Não perturbar

De há uns anos para cá, os juristas, ou com mais rigor, os "pares" judiciais/judiciários, vem procurando incutir na Cidadania - que estes designam recorrentemente como "o cidadão comum" esquecendo que "...a cidadania não é comum, a cidadania é plena!" - a ideia de que quaisquer das partes desenvolvidos na pendência de um processo judicial (e é curioso que se use o termo pendência em vez de curso ou decurso, assim revelando a passividade e complacência instalada no inconsciente colectivo desta família - não são bem.vindos/bem aceites, porque constituem perturbações ao sereno andamento da justiça; como se a justiça fosse o delicado sono de um bebé, ou como se não fosse já suficiente par aretirar confiança e maturidade à justiça a circunstância da judicatura operar abrigada por duas garantias que apenas parilha com mais dois grupos sociais, as crianças e os pessoas portadoras de deficiência mental: os princípios da irresponsabilidade e da inimputabilidade
           os Juízes são irresponsáveis e inimputáveis, alegadamente para garantir a sua independênciafalácia originária da primeira constituição republicana, a de 1911:

Se a desresponsabilização, se o princípio da não imputação de responsabilidades ou consequências jurídicas e outras, desempenhos mais qualificados (incluindo a tal independência), porque se não abrigam nestes mesmos princípios outros pares sócio-profissionais como, como médicos, engenheiros civis, gestores públicos, pilotos da marinha mercante ou da aviação comercial, etc.?... Ninguém tem dúvida de que operaria com menos angústia e ansiedade um neuro-cirurgião a quem não se pudesse assacar responsabilidade por um mau juízo técnico ou uma operação por ventura mais inepta, que diriam mais arrojadas as obras de arquitectura e engenharia civil em ponta e edifícios se gozassem das mesmas garantias...

Judicatos I' - Shh... Não perturbar

De há uns anos para cá, os juristas, ou com mais rigor, os "pares" judiciais/judiciários, vêm procurando incutir na Cidadania [1] a (falaciosa) ideia de que actos quaisquer das partes desenvolvidos na pendência de um processo judicial [2] não são bem-vindos/bem aceites, porque constituem perturbações ao normal e sereno andamento da justiça.

[1] - que estes designam recorrentemente como "o cidadão comum" esquecendo que "...a cidadania não é comum, a cidadania é plena!";
[2] - é curioso que se use o termo pendência em vez de curso ou decurso, assim revelando a passividade e complacência instalada no inconsciente colectivo desta família (Arnot)

... Como se a justiça fosse o delicado sono de um bebé, ou um/a vizinho/a acamado/a, cujo repouso se deverá apoiar, evitando sempre que possível, mesmo a horas diurnas e dias da semana, fazer obras  ou produzir ruídos susceptíveis de perturbar o seu repouso e a sua recuperação.

Judicatos I' - Shh... Não perturbar

De há uns anos para cá, os juristas, ou com mais rigor, os "pares" judiciais/judiciários, vem procurando incutir na Cidadania - que estes designam recorrentemente como "o cidadão comum" esquecendo que "...a cidadania não é comum, a cidadania é plena!" - a ideia de que quaisquer das partes desenvolvidos na pendência de um processo judicial (e é curioso que se use o termo pendência em vez de curso ou decurso, assim revelando a passividade e complacência instalada no inconsciente colectivo desta família - não são bem.vindos/bem aceites, porque constituem perturbações ao sereno andamento da justiça.

... Como se a justiça fosse o delicado sono de um bebé, ou um/a vizinho/a acamado/a, cujo repouso se deverá apoiar, evitando sempre que possível, mesmo a horas diurnas e dias da semana, fazer obras  ou produzir ruídos susceptíveis de perturbar o seu repouso e a sua recuperação.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sra Ministra, o Povo é cortês e sabe respeitar...



Isto é mais que consabido (ainda que nos "adiante um bledo"!): Os empossados de cargos de soberania, públicos e ou autárquicos, e independentemente do âmbito (ministerial, judicial, administrativo), são-no em nome do Povo, por decisão e mandato (directos ou indirectos) deste e para exercerem em conformidade com a vontade objectiva, subjectiva e intersubjectiva desse mesmo Povo. Um/a juíz/a não pode dar "recadetes" no "seu" tribunal, porque nem este nem a função são seus no sentido de coisa pessoal e ou privada. Nem um Ministro pode responder como o fez (há uns dois ou tres anos) o Ministro da Agricultura a um pescador (salvo erro). 

Se há/houve nomeados e empossados que como nunca ostentam a falta dessa essencial noção, são os recentes governantes, sobretudo por ser omissa (ou escassa) a sua educação para a Democracia real, por um lado (o Álvaro - by him self, o Mº das Finanças, etc.), o próprio contexto social, político e económico, por outro, que parece prestar-se a messias, profetas e outros sacerdotes.

Contudo, há reacções pessoais e privadas que são de um âmbito igualmente sério e reprovável como é o caso protagonizado hoje pela Sra Ministra da Justiça, mas também  Advogada de "grande escritório", Paula Teixeira da Cruz. Antes de mais, duvida-se de que a acrimónia manifestada ao (e contra o) Bastonário da O.A. na manhã desta sexta-feira resulte da estrita dinâmica MJ <-> O.A., antes nos parecendo indesmentível que é uma reacção da Advogada contra um Bastonário de que seguramente, a) não gosta, b) a própria não elegeu assim como nenhum dos seus pares de Status socioprofissional, mas (re) elegeram-no os Advogados.

Ao assim manifestar as suas posições (e afectos ou desafectos) particulares ou pessoais, a Sra Ministra empossada arrastou no seu acto descortês o Ministério e o próprio Povo soberano e o Povo Português terá os seus defeitos, mas é educado, moderado, urbano e é, sobretudo, cortês!

O Povo não é uma abstracção (ou meramente uma palavra tipografada na CRP) o povo é real: Perguntei aos meus amigos, confrades, colegas, aos meus filhos, sobrinhos, cunhados, irmãos e nenhum deles abandonou o congresso naquela manhã. E se eles - o Povo - não abandonaram, muito menos o pode ter feito a sua Ministra da Justiça. Quem foi  descortês foi a cidadã (e advogada) Paula Teixeira da Cruz, por sua conta e pelos seus - estritos - motivos, assim desconsiderando o Congresso, os Advogados, o Sr Bastonário, o Ministério, mas desconsiderando  (e deixando ficar mal) igualmente e não sem tanta ou mais gravidade o Povo, isto é, os meus filhos, os meus colegas, os meus sobrinhos, os meus amigos, e ainda e até ao limite da matriz social, filhos, colegas, sobrinhos, cunhados, amigos de todos eles sem excepção.

Srs Advogados, Sr Bastonário, demais entidades (oficiais ou particulares) presentes, p.f. acreditem, nós não abandonamos o congresso e se o não fizemos, o Ministério - que é o/do Povo -  esteve presente!

Abandonou-o, sim, a Sra Paula Teixeira da Cruz e se por isso lhe não doer a consciência ou a responsabilidade, que lhe doam, pelo menos, os dentes!

Procidade



domingo, 16 de outubro de 2011

Ad-Vocatus ' ("linha") - a problemática das "generalizações"

Ad Vocatus '(linha)
(post de data apócrifa)
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"(...)terminamos com a pergunta inevitável: Mas todos os profissionais deste grupo sócio-profissional?...
   ... sobre isto já respondemos: não, nem metade, nem, seguramente, a metade da metade. Mas ainda assim, os mais que suficientes para contaminarem a advocacia quotidiana e o juízo social"

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Depois de umas notas avulsas de queixa sobre o assunto, cumpre esclarecer:
não é um mal nosso nem só nosso...
- Não nos move uma agenda contra os causídicos, como nos não move  uma agenda contra outros grupos sócio-profissionais. Mover-nos-iam, mais depressa e com outro afã, agendas contra a anquilosante (e anti-democrática) sociedade das ordens, mas isso é conversa para outro momento, mesmo se neste lugar, isto é, sobre estes "arcontados e outros quintais oligárquicos" recorrentes que em vez de diminuírem e desaparecerem... aumentam (até já os TOCs, os contabilistas, têm uma Ordem!), falaremos, mesmo que neste mesmo sítio, em melhor altura.

Temos também uma agenda contra os estatutos de menoridade a que frequentemente está sujeita a cidadania, como é o caso do estatuto de menoridade jurídica, mas também aí os advogados só indirectamente são visados. Por mais estranho, contraditório e bizarro que pareça, extremo por extremo, não sei se não viveria mais depressa numa sociedade sem polícia de que sem advogados.

O que nos zanga e move é a má advocacia em sentido material ou formal e estatutário, é a ausência de uma visão do Direito e dos Juristas verdadeiramente  transversal à sociedade (e à cidadania), às pessoas, às Instituições, às coisas (ou aos bens), e por esta precisa ordem. Nas gerações mais novas, então, nem é necessário o complemento na oração, há só falta de visão, de uma visão para o Direito e para o seu exercício.

Desde há séculos (e mais notoriamente desde o séc. XIX) havia dois grupos sócio-profissionais aos quais a sociedade, das mais variadas formas (opinião e conceitos sociais, jornalistas, cartonistas, comunicação corrente, anedotário, etc.) davas as tornas  dos martírios a que estes a submetiam: os médicos e os advogados. No último (quase) meio século, os médicos foram-se desmarcando dessa reputação negativa ao mesmo tempo que foram cooptados para a certeira dos "bem-feitores correntes", sendo imenso o número de pessoas que refere que "ainda cá anda graças dos Doutores fulano e cicrano (olha a minha muito querida mãe nos seus esplendorosos 81, obrigado aos benditos Dr Américo e Dr Cerqueira, brinda ela a cada passo)

E quanto aos advogados?...
Não sendo esta necessidade de atenção redobrada com os advogados estritamente portuguêsa, por cá,  entre desabafos e expressões (re)correntes como são todos iguais, venha o diabo e escolha, no fim só recebeu eleé só para gastar dinheiro, estão feitos uns c'os outros, só serviu para me empatar, eles é que nunca ficam a perder e outros mimos do género, pode extrair-se que conclusões?...  E quanto às anedotas (e chacotas), quais são as qualidades (ou competências) intelectuais/técnicas e morais que são invariavelmente sublinhadas nesse abundante anedotário?...
                                          - a esperteza (e em benefício próprio) e a pouca seriedade.

Terminamos com a pergunta inevitável: Mas todos os profissionais deste grupo sócio-profissional?...
   ... sobre isto já respondemos: não, nem metade, nem, seguramente, a metade da metade. Mas ainda assim, os mais que suficientes para contaminarem a advocacia quotidiana e o juízo social, por um lado, e em número crescente, por outro, quer por via do regime de lotaria dos patronos de estágio dos novos advogados, quer por demérito do regulador



Procidade

sábado, 15 de outubro de 2011

Ad-Vocatus (o "edifício jurídico")

Ao Trindade, agradecendo a compilação sobre o Duarte Lima "postada" na secção III

À Sandra Oliveira, pela oportunidade de conhecer (e "repostar" na secção II) um brilhante texto sobre o tema, do qual adiantamos este breve excerto:

“(…) Para que se saiba, não é essa a formação que nos dão. Aliás, acabamos inevitavelmente por reger a nossa vida profissional pelos valores pessoais que temos, que nos foram incutidos pelos nossos pais. E, se eventualmente um advogado demonstra, numa determinada situação, não ter carácter, escrúpulos ou ser um mentiroso, vigarista ou ladrão, não é por ser advogado. É porque como pessoa já o é. Porque já não tem aqueles valores fundamentais. E, infelizmente para a advocacia escolheu esta profissão. E porque é uma pessoa mal formada acaba por contribuir para denegrir a imagem de todos AQUELES QUE SÃO VERDADEIROS ADVOGADOS. E QUE TÊM ORGULHO DE O SER (…)
Sandra Oliveira (Advogada),
Post: Blog Entre-Vilas Edição de 09-04-2008
http://www.entrevilas.com/noticia.asp?idEdicao=147&id=3909&idSeccao=1094&Action=noticia

*»*
Secção I

Retomando a temática tertuliana sobre o "Edifício Jurídico" que, mau grado alguma truculência forense recente, continuo a defender,

de facto, o que (ou quem) mais tem comprometido a solidez do “edifício” nas décadas recentes é, queira-se ou não, a advocacia, são muitos dos/as advogados/as: 
- aqueles que, enquanto membros das tais "(...) sociedades poderosas de advogados redigem nos seus gabinetes privados..." (Paulo Morais, PSD) as “convenientes” leis que depois aprovam na AR enquanto deputados; 
- aqueles/as que se permitem ser advogados/as  por conta de outrem nas poderosas companhias (operadoras telefónicas, banca, seguradoras e outras) que constituindo-se litigantes de massa “capturam” através do Processo Injuntivo 60% a 80% do workflow dos tribunais e defendendo interesses que já pouco ou nada têm que ver com recuperação de activos (ou cobrança de dívidas), antes constitui uma nova e perversa forma de facturação/receita; 
- ainda aqueles que, por manifesta ganância ou conveniência financeira, defendem os indubitáveis, insofismáveis, indesmentíveis, culpados e não porque todos temos direito à defesa e a ser representados no Tribunal por um advogado, mas para forjar descaradamente a sua bem paga “inocência” e brandi-la depois através dos media nas nossas impotentes ventas, ao mesmo que tempo tomam conta de uma boa parte da capacidade remanescente dos tribunais com actos dilatórios, com incidentes e excepções de toda a sorte; 
- são também os que envolvem (e se envolvem) os (nos) negócios dos clientes, substituindo-se aos próprios e, quando não, até os suprimindo(!).... 
- são,e também em considerável medida,  os de "mais de cá de baixo”, a dita arraia miúda, a da pequena casuística, que para garantir alguma facturação, litiga o e com o indefensável, arrastando para os tribunais pessoas e expectativas em casos e casinhos que poderiam ser resolvidos a maior parte das vezes no domínio do bom-senso; reproduzem (ou copiam) as dilações, diligências e demoras dos grandes casos mas no fim do processo, seja qual for a sentença, ninguém mais ganhou…excepto o advogado;
- e são, por fim, os patronos e defensores nomeados no âmbito do apoio judiciário porque, sendo pouco, muito pouco, e muito tardio, o que lhes é pago, poupam-se ou protegem-se como podem, minimizando a envolvência, as diligencias e o tempo despendido o despêndio de tempo, em prejuízo de uma advocacia suficiente e compaginável com a exercida quando um vez de um patrono nomeado está um mandatário constituído.


Mas são todos, é a totalidade dos profissionais da advocacia?
- Não, absolutamente, nem sequer a metade ou a metade da metade!

Alias, há até neste grupo sócio-profissional um forte sentido crítico em relação à má advocacia, veja-se a secção II e com redobrada atenção os últimos períodos e a escorreita e translúcida citação escolhida pela autora.

Mas em cada caso particular e concreto, cada advogado é (!!!) a totalidade da advocacia nesse processo. E ao contrário do que diz sobre isso o Bastonário Dr Marinho Pinto, em termos práticos aplica-se-lhes o mesmo princípio que aos juízes: “Não se pode pedir a substituição de um juiz”, diz o Sr Bastonário, mas é igualmente difícil mudar de Advogado. Não se podem confundir as possibilidades teóricas ou estatutariamente previstas com as realizáveis ou susceptíveis de concretizar sem (graves) perdas e consequências!...
E cuidado, muito cuidado, os advogados são intra e extra-corporativos e são-no ferozmente! A seu tempo darei detalhada conta do quanto já me estão a custar na praça local e em concreto blogagens como esta, mau grado a pequeníssima escala em que o meu mísero blog é conhecido:
O Ardina
;))


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Secção II
recorte de um "post" de Sandra Oliveira (Advogada?) abusivamente retirado (perdoem e p'.f. consimtam :)) do Blog "Entre Vilas"

"(...) Desta forma conclui-se que deve o advogado afixar, de forma visível, no local onde os serviços são propostos ou prestados, a identificação expressa dos factores supra referidos. E também explicar ao cliente de que forma as coisas são desenvolvidas. Por vezes as pessoas falam mal dos advogados porque desconhecem totalmente o funcionamento das instituições, porque desconhecem as regras a que os advogados estão sujeitos porque não sabem sequer o que é a Deontologia Profissional. E a verdade é que não têm que saber. Mas se o advogado se prestasse a explicar ao cliente a razão de ser das coisas talvez não existissem tantas “anedotas” sobre estes profissionais.

Não digo que não existam advogados que justifiquem essas anedotas. Na verdade, até são muitos. Mas o que as pessoas precisam de saber é que essas “ovelhas negras” podem e devem ser responsabilizadas disciplinarmente pela Ordem. Aliás, é de referir que muitos têm ficado suspensos do exercício da profissão por violarem normas deontológicas, normas do Estatuto. E a maioria das vezes são as normas referentes a honorários.

Para que se saiba, não é essa a formação que nos dão. Aliás, acabamos inevitavelmente por reger a nossa vida profissional pelos valores pessoais que temos, que nos foram incutidos pelos nossos pais. E, se eventualmente um advogado demonstra, numa determinada situação, não ter carácter, escrúpulos ou ser um mentiroso, vigarista ou ladrão, não é por ser advogado. É porque como pessoa já o é. Porque já não tem aqueles valores fundamentais. E, infelizmente para a advocacia escolheu esta profissão. E porque é uma pessoa mal formada acaba por contribuir para denegrir a imagem de todos aqueles que SÃO VERDADEIROS ADVOGADOS E QUE TÊM ORGULHO EM O SER.

Se no momento em que o cliente se sentar no teu escritório olhares para ele e vires nele apenas uma forma de ganhar dinheiro, se tudo o que conseguires ver for um cifrão e não a cara dele, então não estás preparado para ser advogado! E NUNCA serás um bom advogado' (António Arnaut)."
por Sandra Oliveira
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Parabéns Sandra, pelo discernimento, pela lucidez e pela frontalidade e para a compensar também pela interessante citação de A. Arnaut que nos deu a conhecer, dizem os italianos que "quem aos 18 anos não é comunista, não tem coração". Sendo que o termo comunista aqui se pretende metafórico, e dizendo ainda os mesmos italianos "mas quem aos 50 ainda o for, não tem cabeça", não estaríamos em condições de acreditar que, quer lá, quer por cá, se aos 50 ainda mantivéssemos ao menos metade do "coração"  não estaríamos, pessoas e instituições, com tanta "insuficiência cardíaca"?...

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Secção III

os recortes sobre o DL:
"só reenvio para ver se alguém depois me explica isto em miúdos:

Histórias da nossa Terra...


&amp;lt;http://www.sabado.pt/Homepage.aspx&amp;gt;

   A revista *Sábado* que ontem chegou às bancas dedica oito páginas a Duarte Lima, desde o tempo em que, órfão de pai aos 11 anos, ajudava a mãe a vender peixe em Miranda do Douro. À beira de completar 56 anos (Novembro),Duarte Lima tornou-se um homem imensamente rico. A investigação de António José Vilela e Maria Henrique Espada está recheada de detalhes picantes. Na sua casa da Av Visconde de Valmor, em Lisboa, Duarte Lima dava jantares *impressionantes*, confeccionados *in situ* por Luís Suspiro; no fim do
ágape, o *chef* vinha à sala explicar aos convidados ? entre outros, Manuel Maria Carrilho, Ricardo Salgado, João Rendeiro, Horácio Roque,Adriano Moreira e José Sócrates ? a génese das suas criações. Ângelo
Correia, que o lançou na política em 1981, nunca foi convidado para esses jantares. O andar da Visconde de Valmor foi decorado por Graça Viterbo: a decoradora cobrou 705 mil euros. Quando entrou para a Universidade Católica, graças a uma bolsa que o isentou das propinas, foi ignorado pelos colegas: era pobre, vestia-se mal e vinha da província. Só Margarida Marante se aproximou dele. Duarte Lima oferecia-lhe alheiras confeccionadas pela mãe. Em 1980 já era maestro do coro da Católica. Pacheco Pereira e Santana Lopes assistiam embevecidos aos seus concertos de órgão. O estágio de advocacia foi feito no escritório do socialista José Lamego, então casado com Assunção Esteves, actual*presidenta* da AR. O primeiro casamento (1982) foi celebrado pelo bispo de Bragança. Em 1983 chegou a deputado e, em 1991, a líder
parlamentar e vice-presidente do PSD. Nos anos 1980-90 era das poucas pessoas a quem Cavaco atendia o telefone a qualquer hora. Até que, em 1994, o *Indy*, então dirigido por Paulo Portas, obrigou o Ministério Público a investigar as suas contas. Demitiu-se de cargos políticos e aguardou a conclusão do processo. Com o assunto arrumado, candidatou-se em 1998 à Distrital de Lisboa do PSD. Ganhou, derrotanto Passos Coelho e Pacheco Pereira. A leucemia afastou-o do cargo. Volta ao Parlamento por dois mandatos: 1999-2002 e 2005-2009. Segundo a revista, Duarte Lima depositou nas suas contas, entre 1986 e 1994, mais de cinco milhões de euros, parte considerável (25%) em *cash*. É membro da Comissão de Ética do Instituto de Oncologia de Lisboa e fundou a Associação Portuguesa Contra a Leucemia.
Agora é o principal suspeito do assassinato de Rosalina Ribeiro.

Nada disto me impressiona, excepto o facto de Duarte Lima ter obtido do BPN, em 2008, pouco antes da nacionalização do banco, um*empréstimo de 6,6 milhões de euros*, «*contraído sem a apresentação de qualquer garantia*». O *affaire* Duarte Lima é um caso de polícia. Mas o *affaire* BPN, sendo também um caso de polícia, é sobretudo um assunto de Estado. E nenhum jornal ou revista investiu ainda o bastante para o dilucidar.

&amp;lt;
http://www.publico.pt/&amp;gt;

Brasileiros devem mandar carta rogatória Caso Duarte Lima: Julgamento em Portugal é hipótese Portugal não extradita os seus cidadãos para o Brasil nem o Brasil faz o mesmo relativamente aos seus naturais para o nosso país. Tal significa que Duarte Lima - o suspeito de, em 2009, ter assassinado em Maricá, Brasil, a
cidadã nacional Rosalina Ribeiro - poucas hipóteses terá de ser julgado naquele país. O advogado e ex-deputado do PSD só será julgado no Brasil no caso de ser apanhado no território daquele país. Tal não significa, no entanto, que esteja livre de enfrentar o tribunal. Pelo contrário.

A polícia brasileira considera o advogado português como único suspeito da morte de Rosalina Ribeiro, antiga companheira e secretária de Tomé Feteira, um empresário nacional que lhe deixou uma parte considerável de uma imensa fortuna. Parte do dinheiro de Rosalina, mais concretamente 5,8 milhões de euros, acabou por sair da sua conta e foi depositada numa outra conta, num banco suíço, pertença de Duarte Lima.

Após a descoberta do corpo de Rosalina e depois de vários meses de averiguações, os polícias do Rio de Janeiro concluíram que o advogado português é o principal suspeito do crime. Está constituído arguido e
deverá, muito em breve, ser indiciado criminalmente. Quando tal acontecer, o mais natural é que as autoridades brasileiras contactem as congéneres portuguesas e aí, caso os indícios se confirmem, Duarte Lima pode começar por ser detido.

O processo passa pelo envio para Portugal - para a Procuradoria-Geral da República, que depois irá delegar na Polícia Judiciária - de uma carta rogatória. Nesse documento, acompanhado dos resultados obtidos no inquérito policial brasileiro, serão sugeridas novas questões a que o suspeito responderá ou não.

É com base nos elementos apurados no inquérito policial a realizar em Portugal que Duarte Lima poderá, ou não, vir a responder em tribunal. O que as autoridades nacionais vierem a apurar (sempre suportado pelos indícios remetidos do Brasil) determinará o eventual julgamento do advogado.

A hipótese de Duarte Lima ser julgado em Portugal confere-lhe, em princípio, mais garantias de uma eventual condenação mais ligeira do que aquela que poderá enfrentar no Brasil, dadas as diferenças nas leis penais que vigoram em cada um dos países. Os contornos deste crime, ocorrido fora do território nacional, não parecem susceptíveis de levar a uma condenação máxima (25 anos), sendo igualmente certo que as condições de reclusão em Portugal são infinitamente melhores do que aquelas que o suspeito poderia encontrar no Brasil.

Apesar de não haver extradição de cidadãos nacionais de Portugal para o Brasil - e vice-versa -, há, no entanto, notícia de vários casos em que polícias de um dos países se deslocaram ao outro para trazerem, sob
custódia, compatriotas suspeitos da prática de diversos crimes. Exemplos? A Judiciária, na sequência da operação Tão Longe e Tão Perto, foi buscar ao interior do Estado de Goiás o português Franquelim Pereira Lobo, suspeito, entre outros crimes, de traficar droga.

Há ainda os que têm dupla nacionalidade e que aproveitam tal facto para não serem presos, fugindo para um dos países, como fez a ex-autarca Fátima Felgueiras. E, por fim, há o caso do padre brasileiro Frederico Cunha, que em Portugal, quando cumpria pena pelo homicídio de um menor na Madeira (na sequência de um caso de pedofilia), aproveitou uma saída precária da cadeia para viajar de carro até Madrid e, daí, de avião, até ao Rio de Janeiro. Na "Cidade Maravilhosa", protegido pela lei que não permite a sua extradição, dá, de quando em vez, entrevistas acerca do crime."
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recortes do Trindade