sábado, 6 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Uma imagem vale...
As significativas mil palavras que endereçaram ontem os leitores do ardina à "situação" e aos "situados":
O ardina
O Caramelo e os calimeros
O Caramelo e os calimeroscomentando
O vendedor de pipocas de mariana pessoa
"Acredito na sinceridade de MG. Isto é, ele diverte-se mesmo com o seu show-off ao ponto de aceitar o trabalho sem remuneração. É pago em géneros, como se a sua insanidade ideológica fosse uma espécie de terapia. “Eu sei que vocês sabem que eu sei que eu sou um Caramelo”, podia ser o seu slogan. E o que é um Caramelo? Um Caramelo é aquele que se opõe ao Calimero piegas que o “nosso primeiro” invectiva. Não escolheram a personagem por acaso: o Caramelo não choraminga como o Calimero; o Caramelo não é ingénuo, o Caramelo aproveita as oportunidades; e, enquanto o Calimero chora as dificuldades, o Caramelo atropela proactivamente os constrangimentos exteriores.
Todavia, aprofundemos a natureza ontológica do caramelo perscrutando o seu pensamento. Ele não quer saber de política. A sua sabedoria consiste precisamente em não querer saber. Em vez de pensar, fala. E fá-lo com entusiasmo. E da sua verve brota um discurso vazio de pensamento filosófico, como se o seu “eu” não estivesse situado histórica e socialmente. Confesso que também me apetece, muitas vezes, ser assim maluco e determinar o nascimento de um mundo que fosse só o meu e não me interessasse para nada a compreensão da sociedade em que vivo e dos outros.
A consistência de MG nesta forma de estar parece-me admirável, sobretudo porque não me parece que recorra a drogas para esta experiência subjectiva individual. Apetece de facto, mas não saberia viver assim, no orgulho de uma diferença irredutível, crème de la crème, caramelo dos caramelos, erguendo um abismo entre a minha consciência alucinada e o mundo dos outros, os idiotas calimeros entre os quais se contam os quase 20% de desempregados, muitos deles jovens com elevadas qualificações académicas.
Os calimeros são os danados que não conseguem o milagroso “thinking out of box” e por isso são irrelevantes ainda que sejam doutorados porque não têm as ditas competências transversais.
E de facto seria dramática a situação de uma universidade que estivesse fechada sobre si mesma e desligada da sua envolvente social. E a universidade sente este desconforto, e não é de agora, mas sobrevive precisamente no resultado dessa tensão dialéctica entre o pensamento e a sua preocupação com o mundo - num desconforto e na sua superação. Às vezes dentro da caixa, outras vezes rebentando-a e agindo sobre a sociedade.
O que MG propõe é um “thinking out of the box” absoluto, não como um pensamento, mas como uma espécie de maluqueira, “porque sim”, tornando-se assim completamente irrelevante enquanto fenómeno capaz de transformar o estado de coisas, exceptuando o mérito de ter resolvido bem a sua vidinha.
Ainda bem que MG não começa a teorizar muito sobre o assunto e se limita a aconselhar os jovens a fazer pipocas para pagar os estudos, porque se tornaria muito maçador e entediante um coaching filosófico. MG faz muito bem em manter-se neste estado de alienação perante o mundo que desaba. Também me apetece. MG não é um problema. MG não é uma solução. MG é um sintoma."
Todavia, aprofundemos a natureza ontológica do caramelo perscrutando o seu pensamento. Ele não quer saber de política. A sua sabedoria consiste precisamente em não querer saber. Em vez de pensar, fala. E fá-lo com entusiasmo. E da sua verve brota um discurso vazio de pensamento filosófico, como se o seu “eu” não estivesse situado histórica e socialmente. Confesso que também me apetece, muitas vezes, ser assim maluco e determinar o nascimento de um mundo que fosse só o meu e não me interessasse para nada a compreensão da sociedade em que vivo e dos outros.
A consistência de MG nesta forma de estar parece-me admirável, sobretudo porque não me parece que recorra a drogas para esta experiência subjectiva individual. Apetece de facto, mas não saberia viver assim, no orgulho de uma diferença irredutível, crème de la crème, caramelo dos caramelos, erguendo um abismo entre a minha consciência alucinada e o mundo dos outros, os idiotas calimeros entre os quais se contam os quase 20% de desempregados, muitos deles jovens com elevadas qualificações académicas.
Os calimeros são os danados que não conseguem o milagroso “thinking out of box” e por isso são irrelevantes ainda que sejam doutorados porque não têm as ditas competências transversais.
E de facto seria dramática a situação de uma universidade que estivesse fechada sobre si mesma e desligada da sua envolvente social. E a universidade sente este desconforto, e não é de agora, mas sobrevive precisamente no resultado dessa tensão dialéctica entre o pensamento e a sua preocupação com o mundo - num desconforto e na sua superação. Às vezes dentro da caixa, outras vezes rebentando-a e agindo sobre a sociedade.
O que MG propõe é um “thinking out of the box” absoluto, não como um pensamento, mas como uma espécie de maluqueira, “porque sim”, tornando-se assim completamente irrelevante enquanto fenómeno capaz de transformar o estado de coisas, exceptuando o mérito de ter resolvido bem a sua vidinha.
Ainda bem que MG não começa a teorizar muito sobre o assunto e se limita a aconselhar os jovens a fazer pipocas para pagar os estudos, porque se tornaria muito maçador e entediante um coaching filosófico. MG faz muito bem em manter-se neste estado de alienação perante o mundo que desaba. Também me apetece. MG não é um problema. MG não é uma solução. MG é um sintoma."
ZVR, Fb; 2013-04-03
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terça-feira, 2 de abril de 2013
A magestosa iguldade das leis
Em fins de 900 Anatole France ironizava assim sobre a igualdade e "imparcialidade" das leis:
"A majestosa igualdade das leis, que proíbe tanto o rico como o pobre de dormir sob as pontes, de mendigar nas ruas e de roubar pão."Um século depois - e já veremos por quanto mais tempo! - esta sátira deveria (deverá) ser assim reescrita:
"A majestosa igualdade das leis, que ao mesmo tempo que proíbe o pobre de dormir sob as pontes, de mendigar nas ruas e de roubar pão, permite ao rico - sobretudo se for banqueiro - roubar a casa e o pão aos pobres e empurrá-los para a mendicidade e para debaixo das pontes..."Politicamente Incorrecto
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Stand up Comedy Governativo
ou quando redes e pirâmides tipo herbalife chegam ao governo de um país...
Almanaque da Mediocridade
Quando há uns bons meses constatava a feição "Facebook/Twiter" do Ministério de Alvaro Santos Pereira, acreditava que se tinha atingido o paroxismo da infantilidade, da falta de maturidade política ou governativa, do que é pouco sério, do ridículo, enfim, do absurdo. Erro!... Esquecia-me do Relvas, aquele a quem os arbítrios da onomástica recusaram o merecido nome de Hilário e cujos criatividade, inventividade e jogo de cintura não têm limites. E eis que, antecipando-se à possível remodelação a que se vem aludindo nas últimas semanas, ele próprio remodela o paradigma governativo integrando este "propagandista" cruzado de IURD com Televendas:
O Cínico
Alguém deveria dizer a este "moço", enquanto é tempo, que ele só regista este sucesso de discurso óbvio, vazio e inconsequente porque não tem noção do ridículo e tem ainda menos escrúpulos...
domingo, 31 de março de 2013
A Ética e a Estética Parlamentares
Almanaque da Mediocridade
AR, quinta feira, 28Mar2013, da parte da tarde, pouco depois do almoço:
Espectáculo "simiesco" poderia ser a classificação desta... arruaça(!) parlamentar, se a imagem de um símio fosse a que nos viesse à cabeça à vista desta criatura. Mas não, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a de outro animal, por sinal também conotado com a política pelo menos desde George Orwell.
Quando nos lembramos da (gratuita) humilhação que infligiu Jaime Gama a um jovem secretário-de-estado porque não se dirigia à Assembleia usando a figura regimental, pasma-nos que depois do uso da figura regimental se possam utilizar no parlamento e sobre o parlamento designações que se afastam da nobreza e da urbanidade para raiarem a sordidez e a total falta de respeito institucional.
Cabe ao/à presidente da AR, nesse exercício, recuperar a ética e a estética parlamentares, dignificar o parlamento na forma e na substância, e não só CENSURAR estas ligeirezas como afastar, por espúrias e indevidas, as cada vez mais frequentes discussões (ou compitas e gincanas) políticopartidárias, porque não é para isso que o/a deputado/a é eleito. O parlamento não pode ser mais um local de comícios ou um congresso partidário na continuidade.
E digo que cabe Ao/à Presidente da Assembleia censurar, apelar e restaurar porque com o (que resta do) partido já não podemos contar.
E digo que cabe Ao/à Presidente da Assembleia censurar, apelar e restaurar porque com o (que resta do) partido já não podemos contar.
Por outro lado e para evitar que ainda um dia destes se tenham que fazer testes de alcolemia à entrada das bancadas, seria interessante criar uma nova cultura parlamentar que além de encerrar o polémico e obsceno restaurante, mentalizasse os os/as Srs/as deputados/as que no intervalo para almoço, além de fazerem refeições frugais, bebessem - apenas - água.
E porque da estética latu sensu também fazem parte brio e atavio, preconceitos à parte, seria altura dos deputados recorrerem a consultores de imagem porque, sendo verdade que a alguns a barba por fazer até nem fica mal, a outros chega a dar um aspecto que ronda a náusea.
O Cínico
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http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/menu-de-luxo-na-assembleia-da-republica
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http://portugalemvao.blogspot.pt/2012/01/crise-no-restaurante-da-assembleia-da.html
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http://ultimas-curiosidades.blogspot.pt/2013/03/convite-para-almocarna-assembleia-da.html
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http://59abc59.blogs.sapo.pt/80001.html
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e como não há dois (restaurantes de luxo), sem três, acrescenta-se este que, sendo privado, apanhou bem o espírito da coisa, isto é, o espírito e a essência dos tachos:
http://www.lifecooler.com/Portugal/restaurantes/RestauranteEspiritodosTachos
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quarta-feira, 27 de março de 2013
O Cavaco em cavacos
Afinal, em quantos Cavacos se (de)compõe - ou quantas caras tem - Cavaco?
Disse hoje Cavaco Silva, com aquele ar afectado de peça do museu de cera que costuma vestir para dizer banalidades, que as intrigas e as jogadas políticopartidárias não acrescentam um cêntimo à produção nacional e não criam um único emprego.
É verdade, assim falou Cavaco, o político cujos últimos 30 dos 40 anos em que nos vem brindando as ventas na cena política foram marcados pela intriga constante, desde os recorrentes Tabus de Cavaco, as inúmeras jogadas (deixem-nos trabalhar, etc.) contra a presidência de Mário Soares, além das graves intrigas urdidas na sua esfera a partir das forjadas Escutas a Belém e à Casa Civil. Cavaco, o PR em funções que esperou que Sócrates já não fosse primeiro ministro, isto é, que fosse um ex e estivesse longe, para o envolver numa acusação de deslealdade da qual este já se não podia defender. Cavaco, que até em torno dos espúrios negócios financeiro e imobiliário que fez com o seu amigo e antigo secretário-de-estado tentou gerar intrigas, além de se afirmar mais sério que qualquer outro português. Cavaco, o vingativo intriguista que atirou sobejas caneladas ao governo de Santana Lopes...
Cavaco, enfim, que chegou ao famigerado congresso da Figueira da Foz tripulando um BX em rodagem mas também uma teia de intrigas urdida contra Pinto Balsemão (Mota Pinto secumbira meses antes triturado pela mesma máquina da intriga) para lograr um desiderato de derrube - ascenção que aconteceria nesse mesmo fim-de-semana.
Cavaco, o sacralizado mestre da intriga e do tabu, vem dizer agora e ao cabo de mais de três décadas desse exercício, que as intrigas não acrescentam. Porque sabe, sem dúvida, do que fala.
O Cínico
a "Internacional" financeira
"...bem unidos, façamos a lavagem total"...
Rajoy y Hollande defienden que la unión bancaria habría evitado la situación de Chipre
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Ihrem Kampf
Após a decisão (imposição!) do Eurogrupo, o Chipre começa por hesitar na taxação (no confisco!) dos 30% sobre poupanças depositadas em banco entre os 20 e os 100.00 euros.
Imediatamente Ângela, a chanceler [1], adverte rispidamente o Chipre de que não deve brincar com o fogo.
Ao mesmo tempo, o ministro das finanças alemão impõe ao Chipre que é o Eurogrupo que dita as regras.
É sintomático e é preocupante:
- cerca de 70 anos depois e desde o interior de uma construção gizada, alega-se, para evitar que tal acontecesse, eis que de novo um certo norte ralha com os países de sul (e do leste), isto é, começamos de novo a ouvir dentro da Europa chanceleres e quejandos a ralhar excessivamente e em alemão!...
[1] - O tapete "nazi":
http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-news/der-spiegel-hermann-goering-s-rug-is-in-merkel-s-office.premium-1.496729
http://deeksobserver.com/2013/01/merkel-nazi-rug/
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2269534/Nazi-loot-German-Chancellor-Angela-Merkels-office-rug-collection-treasures-stolen-Herman-Goering.html
segunda-feira, 18 de março de 2013
O Regresso do "Capitalismo de Estado"
O Regresso do Capitalismo de Estado
Que benéfica (e conveniente) se revela agora à Europa ultra-neo-liberal a "queda do bloco leste". Graças à quebra desse espelho, na segunda década de 2013 já não são os partidos comunistas dos países da CE que reivindicam a nacionalização do capital, quem o faz são os próprios ministros das finanças do Eurogrupo. Mas para quem a) nunca deixou de estar atento e b) tem um razoável coeficiente de honestidade intelectual (Q-HI), é líquido que c) nunca vigorou no mundo qualquer sistema verdadeiramente comunista, d) os regimes do bloco leste eram por definição oligarquias (o governo de poucos) em torno de um sistema de capitalismo de estado, e) aquilo em que há muito se transformou a CE (e a Comissão Europeia, o Eurogrupo e outras derivas) é um novo politburo que, no essencial, não difere (nem diverge) dos depostos regimes de leste.
Que benéfica (e conveniente) se revela agora à Europa ultra-neo-liberal a "queda do bloco leste". Graças à quebra desse espelho, na segunda década de 2013 já não são os partidos comunistas dos países da CE que reivindicam a nacionalização do capital, quem o faz são os próprios ministros das finanças do Eurogrupo. Mas para quem a) nunca deixou de estar atento e b) tem um razoável coeficiente de honestidade intelectual (Q-HI), é líquido que c) nunca vigorou no mundo qualquer sistema verdadeiramente comunista, d) os regimes do bloco leste eram por definição oligarquias (o governo de poucos) em torno de um sistema de capitalismo de estado, e) aquilo em que há muito se transformou a CE (e a Comissão Europeia, o Eurogrupo e outras derivas) é um novo politburo que, no essencial, não difere (nem diverge) dos depostos regimes de leste.
Nigel Farage, deputado europeu da direita (!!!) inglesa, chama a este politburo A Unelected Bureaucrats dictatorship, definição que, a seu tempo, dirigiu ou poderia ter dirigido ao bloco leste, por um lado e, por outro, em curiosa sintonia com o pensamento e posições da esquerda, ao mesmo tempo que se somam na apologia desta ditadura outros/as arautos/as do dito neo-liberalismo...
O Ardina
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