domingo, 31 de março de 2013

A Ética e a Estética Parlamentares

Almanaque da Mediocridade


AR, quinta feira, 28Mar2013, da parte da tarde, pouco depois do almoço:

Espectáculo "simiesco" poderia ser a classificação desta... arruaça(!) parlamentar, se a imagem de um símio fosse a que nos viesse à cabeça à vista desta criatura. Mas não, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a de outro animal, por sinal também conotado com a política pelo menos desde George Orwell.
Como se o estridente e... vermelhusco estilo e ainda o ar de mal começada digestão de um lauto e porventura bem regado almoço - no tal restaurante da AR? - não bastassem, ouvimos   ainda este opíparo parlamentar usar duas vezes a palavra "palanque" para designar o uso da palavra na Assembleia da República!...

Quando nos lembramos da (gratuita) humilhação que infligiu Jaime Gama a um jovem secretário-de-estado porque não se dirigia à Assembleia usando a figura regimental, pasma-nos que depois do uso da figura regimental se possam utilizar no parlamento e sobre o parlamento designações que se afastam da nobreza e da urbanidade para raiarem a sordidez e a total falta de respeito institucional.
Cabe ao/à presidente da AR, nesse exercício, recuperar a ética e a estética parlamentares, dignificar o parlamento na forma e na substância, e não só CENSURAR estas ligeirezas como afastar, por espúrias e indevidas, as cada vez mais frequentes discussões (ou compitas e gincanas) políticopartidárias, porque não é para isso que o/a deputado/a é eleito. O parlamento não pode ser mais um local de comícios ou um congresso partidário na continuidade.

E digo que cabe Ao/à Presidente da Assembleia censurar, apelar e restaurar porque com o (que resta do) partido já não podemos contar.
Por outro lado e para evitar que ainda um dia destes se tenham que fazer testes de alcolemia à entrada das bancadas, seria interessante criar uma nova cultura parlamentar que além de encerrar o polémico e obsceno restaurante, mentalizasse os os/as Srs/as deputados/as que no intervalo para almoço, além de fazerem refeições frugais, bebessem - apenas - água.
E porque da estética latu sensu também fazem parte brio e atavio, preconceitos à parte, seria altura dos deputados recorrerem a consultores de imagem porque, sendo verdade que a alguns a barba por fazer até nem fica mal, a outros chega a dar um aspecto que ronda a náusea.

O Cínico

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http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/menu-de-luxo-na-assembleia-da-republica

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http://portugalemvao.blogspot.pt/2012/01/crise-no-restaurante-da-assembleia-da.html


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http://ultimas-curiosidades.blogspot.pt/2013/03/convite-para-almocarna-assembleia-da.html

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http://59abc59.blogs.sapo.pt/80001.html

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e como não há dois (restaurantes de luxo), sem três, acrescenta-se este que, sendo privado, apanhou bem o espírito da coisa, isto é, o espírito e a essência dos tachos:

http://www.lifecooler.com/Portugal/restaurantes/RestauranteEspiritodosTachos

quarta-feira, 27 de março de 2013

O Cavaco em cavacos

Afinal, em quantos Cavacos se (de)compõe - ou quantas caras tem - Cavaco?

Disse hoje Cavaco Silva, com aquele ar afectado de peça do museu de cera que costuma vestir para dizer banalidades, que as intrigas e as jogadas políticopartidárias não acrescentam um cêntimo à produção nacional e não criam um único emprego.
É verdade, assim falou Cavaco, o político cujos últimos 30 dos 40 anos em que nos vem brindando as ventas na cena política foram marcados pela intriga constante, desde os recorrentes Tabus de Cavaco, as inúmeras jogadas (deixem-nos trabalhar, etc.) contra a presidência de Mário Soares, além das graves intrigas urdidas na sua esfera a partir das forjadas Escutas a Belém e à Casa Civil. Cavaco, o PR em funções que esperou que Sócrates já não fosse primeiro ministro, isto é, que fosse um ex e estivesse longe, para o envolver numa acusação de deslealdade da qual este já se não podia defender. Cavaco, que até em torno dos espúrios negócios financeiro e imobiliário que fez com o seu amigo e antigo secretário-de-estado tentou gerar intrigas, além de se afirmar mais sério que qualquer outro português. Cavaco, o vingativo intriguista que atirou sobejas caneladas ao governo de Santana Lopes...
Cavaco, enfim, que chegou ao famigerado congresso da Figueira da Foz tripulando um BX em rodagem mas também uma teia de intrigas urdida contra Pinto Balsemão (Mota Pinto secumbira meses antes triturado pela mesma máquina da intriga) para lograr um desiderato de derrube - ascenção que aconteceria nesse mesmo fim-de-semana.
Cavaco, o sacralizado mestre da intriga e do tabu, vem dizer agora e ao cabo de mais de três décadas desse exercício,  que as intrigas não acrescentam. Porque sabe, sem dúvida, do que fala.
O Cínico

a "Internacional" financeira

"...bem unidos, façamos a lavagem total"...



quinta-feira, 21 de março de 2013

Ihrem Kampf

 
Após a decisão (imposição!) do Eurogrupo, o Chipre começa por hesitar na taxação (no confisco!) dos 30% sobre poupanças depositadas em banco entre os 20 e os 100.00 euros.
 
Imediatamente Ângela, a chanceler [1], adverte rispidamente o Chipre de que não deve brincar com o fogo.
 
Ao mesmo tempo, o ministro das finanças alemão impõe ao Chipre que é o Eurogrupo que dita as regras.

 
É sintomático e é preocupante:
 
 - cerca de 70 anos depois e desde o interior de uma construção gizada, alega-se, para evitar que tal acontecesse, eis que de novo um certo norte ralha com os países de sul (e do leste), isto é, começamos de novo a ouvir dentro da Europa chanceleres e quejandos a ralhar excessivamente e em alemão!...
 
 

[1] - O tapete "nazi":

http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-news/der-spiegel-hermann-goering-s-rug-is-in-merkel-s-office.premium-1.496729

http://deeksobserver.com/2013/01/merkel-nazi-rug/

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2269534/Nazi-loot-German-Chancellor-Angela-Merkels-office-rug-collection-treasures-stolen-Herman-Goering.html





segunda-feira, 18 de março de 2013

O Regresso do "Capitalismo de Estado"


O Regresso do Capitalismo de Estado

Que benéfica (e conveniente) se revela agora à Europa ultra-neo-liberal a "queda do bloco leste". Graças à quebra desse espelho, na segunda década de 2013 já não são os partidos comunistas dos países da CE que reivindicam a nacionalização do capital, quem o faz são os próprios ministros das finanças do Eurogrupo. Mas para quem a) nunca deixou de estar atento e b) tem um razoável coeficiente de honestidade intelectual (Q-HI), é líquido que c) nunca vigorou no mundo qualquer sistema verdadeiramente comunista, d) os regimes do bloco leste eram por definição oligarquias (o governo de poucos) em torno de um sistema de capitalismo de estado, e) aquilo em que há muito se transformou a CE (e a Comissão Europeia, Eurogrupo e outras derivas) é um novo politburo que, no essencial, não difere (nem diverge) dos depostos regimes de leste.
 
Nigel Farage, deputado europeu da direita (!!!) inglesa, chama a este politburo A Unelected Bureaucrats dictatorship, definição que, a seu tempo, dirigiu ou poderia ter dirigido ao bloco leste, por um lado e, por outro, em curiosa sintonia com o pensamento e posições da esquerda, ao mesmo tempo que se somam na apologia desta ditadura outros/as arautos/as do dito neo-liberalismo...
O Ardina

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Jovem militante social democrata arrasa...

Jovem militante social democrata arrasa...

  
Politicoesfera [1]
"Passos Coelho deu uma "canelada" aos portugueses (provando que nem delegado de turma deveria ser!)
João Lemos Esteves (www.expresso.pt)
8:07 Segunda feira, 17 de dezembro de 2012
 
1. Passos Coelho é um case study de um Primeiro-Ministro tecnicamente incompetente, humanamente insensível e comunicacionalmente desastroso. Em termos de personalidade, Passos Coelho é um irmão gémeo de Miguel Relvas: estão bem um para o outro. O discurso de ontem de Passos Coelho, no encerramento do congresso da JSD, foi verdadeiramente aterrador. Se o nosso Coelho tivesse noção do ridículo e do prestígio e da honra que é servir a nossa grande Pátria chamada Portugal, só teria uma saída possível: pedir desculpa aos portugueses. Pela falta de respeito que tem por tantos portugueses. Pela sua insensibilidade social que nos choca. O que disse Passos? Creio que o meu caro leitor não ignorou e não deixou de ficar gélido, perplexo, quando Passos Coelho veio afirmar que "não tem de aguentar esse privilégio injustificado que é a reforma dos pensionistas que ao longo da sua carreira descontaram parte do seu salário na expectativa (mais do que) justificada de receber a compensação do Estado na altura devida". Ah, mas cumpre fazer uma precisão: Passos Coelho só critica as pensões mais elevadas...as pensões de verdadeiros ricos! Os ricos que ganham a partir de...cerca de 1500 euros! Ui, cambada de milionários preguiçosos!
2. De facto, Passos Coelho não deixa de ter razão: no país que ele está a construir, marcado pelo desemprego galopante e pela pobreza crescente, receber 1500 euros por mês é um luxo! Passos Coelho gosta é de ver os portugueses pobres, cada vez mais pobres - desde que Ângelo Correia, Miguel Relvas e outros dos seus compadres ganhem cada vez mais, para Passos Coelho tudo corre bem! É este o caminho que devemos seguir: pobres, sem reforma e sem direitos laborais! Também por aqui se percebe por que razão Passos Coelho gosta tanto de investimento chinês...
3. Dito isto, vamos à análise política do discurso em termos mais desenvolvidos. Marcelo Rebelo de Sousa interpretou as declarações desastrosas de Passos Coelho como sendo uma "canelada" a Cavaco Silva. Depois, Marcelo Rebelo de Sousa fez a desmontagem mais brilhante, impiedosa e fatal do discurso incompetente - na minha opinião, mentiroso - de Passos Coelho. Ontem, o Professor na TVI deixou Passos Coelho absolutamente "K.O": Passos Coelho dificilmente recuperará desta. No fundo, Marcelo Rebelo de Sousa explicou a Passos Coelho as razões pelas quais todo o seu discurso não passou de uma mentira pegada e de uma adulteração dos factos gravíssima. Como é que os portugueses poderão confiar em alguém que recorre à mentira grosseira para defender as suas políticas erradas e inconstitucionais? Como? Se Passos Coelho é capaz de mentir quanto a esta matéria, então é capaz de mentir sobre as todas as matérias. Depois do comentário de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa, a seriedade e a credibilidade de Passos Coelho estão feridas de morte.
4. Quanto à crítica implícita a Cavaco Silva, falaremos amanhã. Hoje prefiro registar que, mais do que uma canelada a Cavaco, Passos optou por dar uma "canelada" violenta contra os portugueses. O que só desonra um Primeiro-Ministro. É que Passos Coelho tentou colocar um rótulo negativo aos pensionistas - pareceu quase o discurso dos que achavam que existiam "pesos mortos" na sociedade, discurso que julgávamos datado de outros tempos - como se eles se estivessem a aproveitar dos restantes portugueses. Passos Coelho tentou, num ato completamente falhado, colocar portugueses contra portugueses. Quando as regras do bom senso e da liderança forte impunham que o Primeiro-Ministro apelasse à unidade nos esforços e solidariedade nos sacrifícios. Passos Coelho provou, mais uma vez, que é um fanático - é um fdp: neste caso, não um fanático dos pópós, mas sim um fanático dos pensionistas! Ou contra os pensionistas! Eu nunca votei num fanático para ser líder: nem para delegado de turma!
5. Por último, avanço já que Passos Coelho quer sair deste episódio como a vítima - ao criar o antagonista entre os pensionistas, classe privilegiada, e os outros, Passos quer fazer uma distinção clara entre ele e o seu Governo, amigos da nova justiça social, e os outros (Presidente da República, PS,...) defensores dos privilégios injustificados. Desenvolveremos amanhã."

Email:politicoesfera@gmail.com

In expresso.sapo.pt de 17-12-12.
"Com o objectivo internacional de destruir a Economia Portuguesa, com este discurso, Pedro Passos Coelho deu início ao grande plano de retirar pensões aos pensionistas e reformados portugueses. Vai começar por retirar os complementos de pensões, depois vai continuar até as pessoas não poderem receber mais do que 1.000 Euros de pensão.
Se nem os juízes reformados vão escapar ao corte, agora imaginem o que pode fazer uma viúva que vive do seu complemento de pensão ou mesmo um professor ou um Técnico Superior reformado? Nada! E Pedro Passos Coelho sabe disso!
Se ele não for rapidamente retirado, com a conivência e protecção de Cavaco Silva, Portugal vai sofrer a maior crise político-económica desde 1578, quando o tonto do Rei D. Sebastião decidiu ir para Alcácer Quibir.
Depois disto, todo e qualquer pensionista português vai saber o que é ter medo de olhar para a conta bancária!"
 
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[1] Conheça o autor do blogue Politicoesfera
(destacado do topo do artigo)

"João Lemos Esteves. Finalista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Blogger desde 2008, com especial incidência no youtube, desde Fevereiro de 2010. Militante da Juventude Social-Democrata. Embora considere que a independência de pensamento e a liberdade de análise são indispensáveis a uma intervenção cívica plena.

In expresso.sapo.pt de 17-12-12.

Para que não surjam mal-entendidos ou interpretações desfocadas, faz-se questão de enviar antecedendo o artigo que abaixo segue, a apresentação do autor do blogue, retirada do mesmo site de que o referido artigo foi transcrito, o do Expresso (expresso.sapo.pt).
A esta apresentação pode-se acrescentar a informação, recolhida no site da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (www.fdl.ul.pt), de que o autor, que entretanto concluiu a sua licenciatura, exerce funções de professor assistente naquele estabelecimento de ensino jurídico.
Conforme se pode constatar da leitura do curto trecho de apresentação, João Lemos Esteves é militante social democrata.
Quanto ao teor do artigo, cada um fará a sua própria interpretação, de que – como é óbvio -decorrerão as respectivas conclusões."

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Oops, segura-te!


Almanaque da Mediocridade


Não ponhas tudo o que tens [inclusive nos intestinos] em tudo o que fazes, ou acabarás inevitavelmente a produzir 'cagadas' como as deste tipo.

Por outro lado, quem a seu tempo disse, e para outros fins, põe quanto és no mínimo que fazes, foi Pessoa (ou Ricardo Reis). 

Contudo, porque não acredito que este Miguel leia seja o que for, também lhe não imputo o pecadilho de plágio. Porque quem não lê, não peca...









O Cínico


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

...Mas aos burlões do BPN não chamam nada...

Baptista da Silva:

"Chamar-me burlão é fácil, aos burlões do BPN não chamam nada"

"O fundamental de toda a mensagem, o seu conteúdo de análise, diagnóstico e propostas alternativas passou a ser despiciendo e invariavelmente ignorado (...)".
Artur Baptista da Silva mantém que é colaborador voluntário da ONU e que pretende instalar um Observatório Independente
Artur Baptista da Silva

Artur Baptista da Silva defende-se
D.R.

27/12/2012 | 11:47 | Dinheiro Vivo

"Artur Baptista da Silva, que se apresentou como consultor da ONU, defende-se numa nota enviada à Lusa, garantindo que é apenas "colaborador voluntário" e que "apesar dos factos ocorridos" continua a pretender instalar um Observatório Independente.
Numa longa nota enviada à Agência Lusa após uma troca de mensagens em que sempre recusou dar entrevistas, porque não quer "protagonismos", Artur Baptista da Silva queixa-se das acusações de que está a ser alvo, da devassa da sua vida privada, explica a sua ligação à ONU e dedica a maior parte do seu comunicado com a argumentação utilizada nas várias intervenções públicas e entrevistas que convenceram muita gente.
"O fundamental de toda a mensagem, o seu conteúdo de análise, diagnóstico e propostas alternativas passou a ser despiciendo e invariavelmente ignorado", lamenta o homem que está a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República.
Na sua nota, Baptista da Silva começa por mostrar desagrado com os "ataques" da comunicação social de que se diz alvo, aludindo a um "regresso à antiguidade clássica" em que "quando a mensagem não agrada aos poderes instituídos legítimos e/ou ilegítimos, assassina-se o mensageiro".
Afirma Baptista da Silva que "tal como o poder político, também alguma comunicação social é muito forte com os que lhe parecem ser fracos e cobardemente fraca com os fortes cujos poderes a manietam".
E exemplifica: "Chamar-me burlão têm sido fácil! Mas nunca, até agora, os vi chamar burlões aos 50 maiores devedores do BPN que, esses sim, burlaram o Estado Português, num montante equivalente a 1% do PIB, nem aos que transferem capitais, limpos e sujos, para paraísos fiscais, delapidando os interesses do Estado fugindo ao pagamento dos impostos e que paulatinamente, e no silêncio cúmplice da mesma comunicação social, aproveitam as janelas de oportunidade concedidas periódica e discriminatoriamente, pelos diversos governos que lhes perdoam o crime fiscal em troca do pagamento de uma taxa de 7,5%, ou seja, um terço da dos cidadãos sérios que aplicam as suas poupanças em Portugal e pagam 22,5%. A isto chama-se cumplicidade silenciosa do benefício não ao infrator mas ao criminoso",
27/12/2012 | 11:47 | Dinheiro Vivo

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imunidades, Isenções e outros "privilégios reais"

Imunidades, Isenções e outros "privilégios reais"

Dizem os livros de história que "a revolução liberal [1820!] pôs fim à sociedade das ordens...". Estórias!

....

Austeridade e privilégios, no Jornal de Notícias. Excertos:

«[...] O primeiro-ministro, se ainda possui alguma réstia de dignidade e de moralidade, tem de explicar por que é que os magistrados continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições; tem de explicar por que é que recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação; tem de explicar por que é que essa remuneração está isenta de tributação, sobretudo quando o Governo aumenta asfixiantemente os impostos sobre o trabalho e se propõe cortar mais de mil milhões de euros nos apoios sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, nos cheques-dentista para crianças e pasme-se no complemento solidário para idosos, ou seja, para aquelas pessoas que já não podem deslocar-se, alimentar-se nem fazer a sua higiene pessoal.

O primeiro-ministro terá também de explicar ao país por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber ajudas de custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respetivos tribunais, ou seja, aos seus locais de trabalho.

Se o não fizer, ficaremos todos, legitimamente, a suspeitar que o primeiro-ministro só mantém esses privilégios com o fito de, com eles, tentar comprar indulgências judiciais

O artigo na íntegra:

"Logo após surgir na Comunicação Social a informação de que as escutas de conversas telefónicas entre o primeiro-ministro e um banqueiro suspeito de envolvimento em graves crimes económicos tinham sido remetidas pelo Ministério Público ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça para validação processual a ministra da Justiça entrou em cena com a subtileza que lhe é peculiar. Primeiro declarou que era preciso mexer na legislação sobre o segredo de justiça (quando as vítimas das violações do segredo de justiça eram outras ela dizia que a impunidade acabou) e logo de seguida "solicitou" à Procuradoria-Geral da República que viesse ilibar publicamente o primeiro-ministro e líder do seu partido, o que a PGR prontamente fez garantindo não existir contra ele «quaisquer suspeitas da prática de ilícitos de natureza criminal».


Sublinhe-se que, nos termos da lei (artigo 87, n.0º 13 do CPP), "a prestação de esclarecimentos públicos pela autoridade judiciária" em processos cobertos pelo segredo de justiça só pode ocorrer a "pedido de pessoas publicamente postas em causa" ou então para "garantir a segurança de pessoas e bens ou a tranquilidade pública". Uma vez que nenhum dos escutados (PM e banqueiro) solicitou tais esclarecimentos, os mesmos só podem ter sido "solicitados" e prestados com o nobre intuito de garantir a "segurança" e a "tranquilidade" de todos nós. Mas a PGR foi mais longe e informou que também "foi instaurado o competente inquérito, tendo em vista a investigação do crime de violação de segredo de justiça". Não há como ser zeloso!...
Num segundo momento, a ministra da Justiça (que não chegou a vice--presidente do PSD pela cor dos olhos ou dos cabelos) tratou, no maior sigilo, de tomar outras medidas mais eficazes, prometendo aos magistrados que continuarão a usufruir do privilégio de poderem viajar gratuitamente nos transportes públicos, incluindo na primeira classe dos comboios Alfa. Para isso garantiu-lhes (sempre no maior segredo) que o Governo iria retirar da Lei do Orçamento a norma que punha fim a esse privilégio. O facto de o Orçamento já estar na Assembleia da República não constitui óbice, pois, para a ministra, a função do Parlamento é apenas a de acatar, submisso, as pretensões dos membros do Governo, incluindo os acordos estabelecidos à sorrelfa com castas de privilegiados.
Mas, mais escandaloso do que esse sigiloso acordo político-judicial é a manutenção para todos os magistrados de um estatuto de jubilação que faz com que, mesmo depois de aposentados, mantenham até morrer direitos e regalias próprios de quem está a trabalhar. E ainda mais vergonhoso do que tudo isso é a continuidade de privilégios remuneratórios absolutamente inconcebíveis num regime democrático, sobretudo em períodos de crise e de austeridade como o actual.
O primeiro-ministro, se ainda possui alguma réstia de dignidade e de moralidade, tem de explicar por que é que os magistrados continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições; tem de explicar por que é que recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação; tem de explicar por que é que essa remuneração está isenta de tributação, sobretudo quando o Governo aumenta asfixiantemente os impostos sobre o trabalho e se propõe cortar mais de mil milhões de euros nos apoios sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, nos cheques-dentista para crianças e - pasme-se - no complemento solidário para idosos, ou seja, para aquelas pessoas que já não podem deslocar-se, alimentar- -se nem fazer a sua higiene pessoal.
O primeiro-ministro terá também de explicar ao país por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber ajudas de custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respectivos tribunais, ou seja, ao seus locais de trabalho.
Se o não fizer, ficaremos todos, legitimamente, a suspeitar que o primeiro-ministro só mantém esses privilégios com o fito de, com eles, tentar comprar indulgências judiciais."

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O sonho de Pedro Passos Pan

Reenvios do AT
por
«"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres. Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos. Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social. O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim. O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sust entável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres. Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»
José Vítor Malheiros
(no Público )
Reenvios do AT
...Porque tem que se repetir a história em cada passagem de século???


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Portal Académico da UM

O Expressivo "Portal Académico da Universidade do Minho"

Se uma imagem vale mil palavras, esta valerá o quê, mil palavrões?...

O Cínico